terça-feira, 13 de novembro de 2012

Vídeo-aula 11: Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDH)


Disciplina Saúde na Escola
Vídeo-aula 11: Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDH). Por Paula Fernandes.
Visualizado em 12/11/2012


O objetivo desta aula não é ensinar como fazer o diagnóstico do TDH, mas conhecer as principais características para conseguir identificar e promover uma sala de aula, mais adequada.

“é um transtorno comportamental e neurológico, de causas genéticas e ambientais que aparece na infância e pode acompanhar a pessoa por toda vida”.

* Definição: é um transtorno comportamental e neurobiológico de causas genéticas e ambientais. Aparece na infância e pode acompanhar a criança por toda a vida.
É caracterizado pela tríade de sintomatologia:
·         Desatenção: tem dificuldade de prestar atenção a detalhes, parece não escutar quando falam com ele, é facilmente distraído com estímulos alheios, tem dificuldade de organização, cometem erro por descuido, não segue instruções, não termina suas tarefas e perde coisas importantes;
·         Hiperatividade: não consegue envolver-se em atividades silenciosas, está sempre “ á mil por hora” “ á todo vapor”, agita mãos e pés e se remexe na cadeira, tem dificuldade para permanecer sentado, corre exageradamente  e fala demais.
·         Impulsividade: dá respostas precipitadas a perguntas não terminadas, tem dificuldade de aguardar sua vez e interrompe ou se intromete em conversas alheias.

A Hiperatividade gera além do baixo rendimento escolar e dificuldades sociais.

* Prevalência: acometem de 5% á 13 % das crianças em idade escolar. Pode persistir na vida adulta em metade dos casos, é mais comum em meninos. Nas meninas ocorrem de 10% á 25% dos casos de TDH.

* Tipos de TDH:
·         Predominantemente desatento: Mais comum no sexo feminino, tem uma alta taxa de prejuízo acadêmico, são crianças desorganizadas, esquecidas, distraídas, que não copiam as tarefas, vivem no "Mundo da Lua". Tem um nível muito alto de isolamento social e retraimento (grandes dificuldades de se trabalhar em grupos);

·         Predominantemente hiperativo- impulsivo: são crianças mais agressivas, com alta taxa de rejeição pelos colegas, sofrem de impopularidade, são agitas, inquietas e impulsivas;

·         Combinado: é quando realmente se tem o perfil do TDH, pois gera um prejuízo muito grande no funcionamento global da criança, tem dos os comportamentos acima conjuntamente. São rejeitadas pelos colegas e falham muito em fazer planos e prever situações.

Todos os sintomas estão diretamente relacionados à discriminação da tríade sintomatológica feita acima.

* Quadro clinico na escola: Baseado na comparação que infelizmente se torna inevitável neste caso.
Os sintomas mais evidentes são: Alteração nas habilidades linguísticas, falta de noção de espaço (desenhos), dificuldades de reconhecer símbolos gráficos, dificuldades para ficarem sentadas e prestando atenção, pouca coordenação motora (são desajeitadas), estão sempre em movimento e tem dificuldade para terminar tarefas.

* Como é feito o diagnóstico?
É um diagnóstico clinico baseado nos critérios operacionais do DSM- IV ou CID 10, normalmente feito pelo neurologista, psiquiatra ou psicólogo. A partir de uma avaliação com a família, criança e escola, evitando confundir a agitação inerente de algo que a criança não gosta de se envolver (TDH situacional) do TDH mesmo.
O prejuízo do TDH ocorre em dois ou mais contextos.

* Causas do TDH são multifatoriais, sendo uma interação entre os fatores genéticos, biológicos/ físicos e psicossociais.

* Consequências do TDH: baixo rendimento escolar, a criança não consegue mais acompanhar a turma, perda da autoestima, tristeza e falta de motivação, dificuldades de relacionamento, predisposição á episódios depressivos graves, abuso de álcool e drogas, adultos inseguros com baixas habilidades sociais e dificuldades de relacionamento interpessoal.

* Tratamentos: está sempre relacionado com a causa, ou seja, multifatorial e específico para cada causa. Pode ser feito com medicações, psicoterapia e/ou o envolvimento da família e da escola. É preciso ter a visão da criança como um todo, sem fragmentações e com o envolvimento de todos os sujeitos de sua vida.

* Possibilidades de intervenção na escola: Educação, a buscar a conscientização da família, da equipe de toda comunidade escolar.
Objetivos: Ajudar a criança, a família e os professores a compreender os sintomas e os prejuízos do TDH, Desfazer rótulos prévios (preguiçoso) e melhorar a autoestima das crianças, os pais precisam entender como lidar com essa situação.

*Na sala de aula, algumas ações podem ser realizadas:
1º Fazer planejamento e cronograma com as crianças: pois auxiliam na dificuldade de planejamento das crianças, incluindo todas as atividades inclusive as tarefas e acompanhar esse calendário com a criança;
2º Valorizar as atitudes positivas: elogiar, reconhecer as ações positivas: intervenção comportamental baseada em contingências, premiar respostas e atitudes adequadas, reforçadores para o comportamento esperado;
3 º Envolver a criança nas atividades da sala: envolver o aluno na sala de aula, torná-lo útil, mesmo que seja em apagar a lousa por exemplo;
4º Ajuda na impulsividade: motivar ela esperar a vez dela, por exemplo;
5º Discutir/ conversar/ envolver sempre com os pais.

Após ver essa vídeo aula de extrema relevância ao meu ver lembrei de uma sala de aula da escola que trabalho, Maternal I, com crianças de 02 á 03 anos. Essa sala de 17 alunos temos 02 alunos, um menino e uma menina com características muito aproximadas do hiperativo-impulsivo e em alguns momentos a menina se mostra ser desatenta, o que na verdade já percebemos que é uma forma pessoal dela vivenciar aquilo que não lhe interessa, pois grava com muita facilidade qualquer conversa ou diálogo feita diretamente á ela.
Nos dois casos específicos deparamo-nos com o desespero das famílias, que diziam “não saber o que fazer” diante dos desafios postos com a agitação das crianças e no caso específico do aluno a agressividade. 
Somos da visão de que é muito cedo para fazermos um pré-diagnóstico e solicitar esse diagnóstico médico, mas como temos esse trabalho muito aproximado da família e assim sabemos que em ambos os casos, o contexto social contribui muito para “alguns comportamentos” dessas crianças.
Estamos então realizando um trabalho muito legal com as famílias, principalmente com a família do menino que no primeiro momento se revoltou e “culpabilizou” a escola, mas que hoje compreendeu a importância de trabalharmos em parceria e a escola por sua vez, mostrou-se aberta e receptiva para isso, tendo os educadores em sala de aula um extremo cuidado no trabalho com o aluno, desenvolvendo até mesmo algumas ações individuais nos momentos de maior agitação. 
Não tenho como relatar o término dessa história, pois ela é recente para nós, mas estamos no caminho, foi isso que percebi com essa vídeo aula.
É claro que todo o conhecimento científico sobre TDH é muito importante, mas o que mais me chamou a atenção nessa aula foi a necessidade de trabalharmos em conjunto, considerando que a TDH é multifatorial, foi o que mais achei interessante.

domingo, 11 de novembro de 2012

Vídeo-aula 10: Democracia e Educação em Direitos Humanos.


Disciplina: Educação Comunitária
Vídeo-aula 10: Democracia e Educação em Direitos Humanos. Por Ana Maria Klien
Visualizado em 06/11/2012


Imagem retirada de : http://comunicacaochapabranca.com.br/?p=6231
      A Democracia é associada ao modo de vida e na escola a trata-se de viver democraticamente e não do domínio de conceitos.

“Temos de ver que a democracia significa a crença de que deve
prevalecer a cultura humanística; devemos ser francos e claros em nosso
reconhecimento de que a proposição é uma proposição moral, como
qualquer idéia referente a dever ser... A democracia se expressa nas
atividades dos seres humanos e se mede pelas conseqüências
produzidas em suas vidas”. (Dewey, 1970 :212-213).

      Quando somos educados dentro de um ambiente democrático a forma de nos relacionar com os outros vai se aproximar mais facilmente de uma relação democrática.
      Como os diversos integrantes da comunidade escolar se relacionam?
 * “Por ser um modo de vida, a democracia é uma expressão ética, exigindo uma formação que enfatize a personalidade (individualidade) e a cooperação (responsabilidade pelo bem social);
* “Para atender a esta necessidade formativa a escola deve preparar o indivíduo para que ele pense e dirija por si com responsabilidade e compromisso, num ambiente promotor dos DH.”.

      O discurso não pode ser contrário á prática, ou seja, é preciso um preparo do próprio ambiente, não dá para se falar de democracia enquanto tivermos um profissional autoritário ou até mesmo em uma escola que nega os direitos dos alunos, da família e dos professores. É preciso ainda valorizar o papel ativo de toda a comunidade escolar.

      Para se educar para a democracia e Direitos Humanos, é necessário que todos conheçam os mecanismos e instrumentos democráticos e quais são os Direitos Humanos. E ainda considerar o ambiente onde os direitos sejam de fato vivenciados, ou seja, educar "na" e educar "para" a democracia e os direitos humanos.
      É necessário muita coerência na ação diária, não conseguimos trabalhar DH e democracia apenas em caráter “conteúdista” é necessário viver essa educação.


      A educação é a via única para prevenção da violação dos direitos humanos. Assim a EDH visa transformar o Brasil legal, no Brasil legal.

A EDH pode/deve ser trabalhada em 05 dimensões:
1º- Apreensão de conhecimentos dos Diretos humanos;
2º- Afirmação de Valores: Atitudes e práticas que expressem esses direitos, ou seja, o exercício;
3º- Formação de uma consciência cidadã, saber como busco e/ou revindico algo;
4º Desenvolvimento de processos metodológicos: criação mecanismos que busquem á real participação dos alunos;
5º Fortalecimento de práticas individuais e sociais: não basta ter conhecimentos e ou valores, mas sim vivenciar a cidadania ativa.

A EDH pode/ deve ser promovido á partir de 03 campos:
1º Epistemológico: conhecimentos e habilidades- conhecer os DH e os mecanismos existentes para a sua proteção assim como desenvolver habilidades para aplica-lo no dia-a-dia;
2º Axiológico: valores, atitudes e comportamentos que sustentem os DH;
3º Práxis: desencadear ações para a promoção a defesa dos DH.

     Esses três campos devem estar interligados para que realmente possam garantir uma vida focada na ação e na manutenção destes.

       A EDH, dentro escola visa a formação de sujeitos
     Segundo o Instituto Interamericano de Direitos Humanos existem três diferentes níveis para se trabalhar Maxiconteúdos: Constituem grandes categorias de componentes que integram os campos da EDH epistemológico, axiológico e práxis;
2º Intermediários: adentra-se nos conhecimentos específicos que são construídos pelas disciplinas que abordam os temas relativos a EDH;
3º Miniconteúdosos conteúdos DH:
: mais próximo da realidade do aluno, relacionando os conteúdos a vida e realidade de cada estudante.

Para inserção currículos dos DH, podemos usar as seguintes dimensões didáticas- pedagógica:
* Pluridisciplinaridade: estudam um objeto de uma disciplina pelo ângulo de várias outras ao mesmo tempo;
* Transdiciplinaridade: referente ao conhecimento próprio da disciplina, mas está para além dela, tanto no espaço quanto no tempo. Unidade do conhecimento- parte e o todo;
* Interdisciplinaridade: integração das diferentes áreas do conhecimento
                                             
Imagem retirada de:
http://comunicacaochapabranca.com.br/wp-content/uploads/2009/05/democracia-2.jpg

Somente a criação de mecanismos democráticos e que garantam a efetivação dos direitos humanos, realmente gerará um Mundo com paz afinal " A paz sem voz, não é paz é medo!"

Minha Alma (A Paz Que Eu Nao Quero)

O Rappa

A minha alma tá armada e apontada
Para cara do sossego!
(Sêgo! Sêgo! Sêgo! Sêgo!)
Pois paz sem voz, paz sem voz
Não é paz, é medo!
(Medo! Medo! Medo! Medo!)
As vezes eu falo com a vida,
As vezes é ela quem diz:
"Qual a paz que eu não quero conservar
Pra tentar ser feliz ?" 2x
A minha alma tá armada e apontada
Para a cara do sossego!
(Sêgo! Sêgo! Sêgo! Sêgo!)
Pois paz sem,paz sem voz,
Não é paz é medo
(Medo! Medo! Medo! Medo!)
As vezes eu falo com a vida,
As vezes é ela quem diz:
''Qual a paz que eu não quero conservar
Pra tentar ser feliz ?'' 2x
As grades do condomínio
São prá trazer proteção
Mas também trazem a dúvida
Se é você que tá nessa prisão
Me abrace e me dê um beijo,
Faça um filho comigo,
Mas não me deixe sentar na poltrona
No dia de domingo (domingo!)
Procurando novas drogas de aluguel
Neste vídeo coagido,
É pela paz que eu não quero seguir admitindo.
As vezes eu falo com a vida,
As vezes é ela quem diz:
‘’Qual a paz que eu não quero conservar
Pra tentar ser feliz ?’’ 2x
As grades do condomínio
São prá trazer proteção
Mas também trazem a dúvida
Se é você que tá nessa prisão
Me abrace e me dê um beijo,
Faça um filho comigo,
Mas não me deixe sentar na poltrona
No dia de domingo (domingo!)
Procurando novas drogas de aluguel
Neste vídeo coagido,
É pela paz que eu não quero seguir admitindo. 2x
Me abrace e me dê um beijo,
Faça um filho comigo,
Mas não me deixa sentar na poltrona
No dia de domingo! (domingo!)
Procurando novas drogas de aluguel
Neste vídeo coagido,
É pela paz que eu não quero seguir admitido. 2x
É pela paz que eu não quero seguir
É pela paz que eu não quero seguir
É pela paz que eu não quero seguir admitido. 2x


Vídeo-aula 9: Educação comunitária e direitos humanos.


Disciplina: Educação Comunitária
Vídeo-aula 9: Educação comunitária e direitos humanos. Por Ana Maria Klien
Visualizado em 06/11/2012

Aqui percebemos que a educação comunitária, surge inicialmente não dentro de um contexto escolar, mas relacionada a educação não formal, na década de 80, 90, ela passa ser associada ao contexto escolar, ou seja dentro de uma perspectiva de educação formal.
O objetivo da educação comunitária é formar sujeitos coletivos, "isto é de sujeitos que se compreendam em meio á coletividade que se tornem corresponsáveis pelas ações, relações, conflitos e decisões que ocorrem na comunidade, numa perspectiva critica.”.
 Dentro do contexto escolar, ela se caracteriza na democratização dos espaços e das relações de participação de todos os envolvidos e da melhoria da qualidade de educação.

Paulo Freire é o principal autor que trata e influencia outros a tratarem o conceito entre a escola e comunidade!

“ Aprender na comunidade, com ela e para ela, significa usar a história da
sua própria região, exteriorizando a cultura do silêncio. Significa aprender a
engajar-se na sua própria região, tornando-se consciente da situação sociopolítica e lutando  para que as sociedades fechadas sejam transformadas em
sociedades abertas... é uma questão de  urgência que as escolas se tornem
menos fechadas, menos elitistas, menos autoritárias, menos distanciadas da
população em geral. Isso é para a educação comunitária uma questão de
fundamental importância. “(FREIRE, 1995: 12-13).

Paulo Freire defende que os conteúdos extrapolem os conceitos de disciplinarização, aprendendo com as questões que emergem da sociedade, ou seja cidadania, tendo os problemas sociais como fonte de reflexão, articulando todos os conceitos aprendidos na escola, com a vida cotidiana e tudo isso fazendo realmente parte dos currúlos escolares.

E educação comunitária, considera todos os contextos e espaços educativos.
Família;
Cidade;
Sociedade;
Escola.

Nas cidades educadoras, nascidas na década de 90, toda a cidade é considerada "responsável" pela educação, esse papel não é limitado á escola, como é caso, por exemplo, da cidade Sorocaba que trabalha neste sentido.
Podemos entender um pouco mais sobre esse conceito de “Cidades Educadoras” na reportagem transmitida pela TV Cultura, na cidade São Paulo.




Mas como levar tudo isso para dentro da escola?
Para Trilla (1993)
* Aprender na cidade: todas as educações educativas que compõem a cidade passem á fazer parte dessa rede;
* Aprender da cidade: agente informal, levando os alunos a questionarem o que aprendemos na cidade que é relevante e o que pode ser transformado;
* Aprender a cidade: saber dos potencias e que cada individuo é um sujeito com potencialidades e capaz de transformação.

Como trabalhar a cidade dentro da escola?
* Mapeamento (Conhecer toda essa comunidade): questionando o onde são esses lugares que podem fazer parte dessa rede, o que podem contribuir quem são as pessoas que podem ser parceiros e porque poderão contribuir, em quais ações, em quais projetos;
* Trilhas educativas: contexto pedagógico, olhares orientados por temas específicos. Duplo caráter;
* Intencionalidade e Objetividade: dadas pelo tema;
* Caráter Calendoscópio: ou seja, perceber o olhar de diferentes sujeitos sociais sobre aquele tema;

É necessário abrir as portas da escola e envolver toda a comunidade para a educação.

* Projetos Transversais e Interdisciplinares: a articulação de um tema estudado com os conteúdos curriculares, feitos á partir da trilha. Enfim, fazendo toda a conexão da transversalidade e interdisciplinaridade estudada e comentada em aulas anteriores, á partir da reflexão e da visão sócio critica de possibilidade de transformação (tendo aqui um papel ativo), revindicando seus direitos, dentre eles os diretos humanos.


Os Direitos Humanos- DH estão diretamente ligados com a democracia, um interdepende do outro.
·         Liberdade;
·         Igualdade;
·         Solidariedade.

Na escola os DH estão relacionados á valores ações necessárias á formação dos cidadãos em sociedades democráticas e ao desenvolvimento integral do ser humano e perpassam pela maioria dos temas que envolvem a realidade social, como por exemplo:
·         Direitos Sociais Econômicos e Culturais;
·         Direitos das Crianças e Adolescentes;
·         Discriminação Racial;
·         Discriminação contra a mulher;
·         Direitos relacionados á educação;
·         Gênero e orientação sexual na educação.

No artigo sobre: A ESCOLA FRENTE ÀS NOVAS DEMANDAS SOCIAIS: EDUCAÇÃO
COMUNITÁRIA E FORMAÇÃO PARA A CIDADANIA , De: Ana Maria Klein – USP – e
Cristina Satiê de Oliveira Pátaro – UNESP, percebemos claramente a necessidade da escola se conectar a toda a comunidade, até como uma estratégia de superação aos desafios postos á escola nos dias atuais.
http://www.pucsp.br/revistacordis/downloads/numero1/artigos/1_escola_novas_demandas.pdf

“A escola pode converter-se em uma instituição que reúne e difunde os esforços de
distintas instâncias da comunidade visando  a melhora e a transformação social. Esta
transformação implica de um lado na possibilidade de participação democrática efetiva de
demais agentes escolares e extra-escolares  na discussão e na busca do enfrentamento de
problemas comuns; de outro lado, na permeabilização do currículo escolar aos problemas da
comunidade, ou seja, trazer para dentro das salas de aula temas e discussões, através de
projetos, vinculados à realidade e aos problemas da comunidade.
A escola articulada à comunidade, portanto, não é concebida apenas como uma.
instituição meramente transmissora de conhecimentos, mas sim como um local onde se
trabalham afetos, valores, normas, modelos culturais e onde se criam laços de coesão social."

            Ainda de forma tímida, mas significativamente aqui em Bauru, uma amiga educadora inserida na rede pública de ensino desenvolveu com seus alunos um projeto sobre empreendedorismo, realizando em alguns momentos a ocupação e participação dos espaços públicos e realizando a todo momento a reflexão crítica sobre a realidade.


06/09/2012  | Educação 
Projeto de Sustentabilidade ensina noções de empreendedorismo a alunos de Emei
Nesta quinta-feira, 06/09, 75 alunos com idade entre 2 e 5 anos, da Emei Hubert Rademark, no Núcleo Edson Bastos Gasparini, participaram de uma confraternização com pizza e refrigerantes. O mais interessante é que o dinheiro para a aquisição dos produtos foi obtido através do trabalho dos próprios alunos durante o Projeto “Empreender é ser”.


Segunda a direção da escola, a confraternização encerra um ciclo de atividades de um projeto que teve início no mês de abril sobre Sustentabilidade, em que as crianças puderam ter noção de reaproveitamento de produtos recicláveis, através da coleta e acondicionamento e venda dos produtos; confecção de produtos artesanais utilizando material reciclável. 
Após as fases de coleta, venda do material reciclado, rifa de um puff feito de garrafas pet e um bazar de roupas e objetos usados, os alunos conseguiram arrecadar cerca de R$300,00 e com esse valor fizeram as compras dos produtos para o lanche comunitário desta quinta, acompanhados por professores e auxiliares de creche.
 
A ida ao mercado propiciou aos alunos as noções de economia doméstica e negociação entre outros.
 
Entretanto, um dos acontecimentos que chamou a atenção dos coordenadores do projeto, foi o espírito de equipe e solidariedade entre os alunos, ao relatarem que o grupo, ao fazer as compras no mercado, atentou para o fato de que um deles tem intolerância à lactose e que muitos dos produtos que estavam sendo adquiridos no supermercado, ele não poderia ingerir, já que eles observavam isso durante a hora do lanche no dia-a-dia, quando estavam juntos do mesmo, e assim optaram por levarem alguns produtos que o aluno em questão pudesse consumir também.
 
Enfim, durante todo o projeto, de forma adaptada aos seus limites, os alunos puderam entender o empreendedorismo a partir da sustentabilidade, desde como colaborar com o meio ambiente, reaproveitar material até transformá-lo em fonte de renda.
 

Vídeo-aula 8: Distúrbios alimentares (anorexia e bulimia, obesidade)


Disciplina Saúde na Escola
Vídeo-aula 8: Distúrbios alimentares (anorexia e bulimia, obesidade)
Visualizado em 11/11/2012

Essa vídeo aula fala dos distúrbios alimentares, tendo como considerações iniciais a importância da alimentação equilibrada, completa e variada para a nossa saúde e que esses distúrbios alimentares ocorrem á partir da interação de fatores psicológicos, biológicos, familiares e sócio culturais e gera alterações significativas no comportamento alimentar.

A Pediatra, Professora, Doutora, Lilia de Souza Li, do Departamento de pediatria da Unicamp, foi quem contextualizou um pouco mais sobre esses distúrbios:
Para ela alimentação na adolescência é derivada á partir de vários fatores: psicológicos, socioeconômicos e culturais e por ser uma fase de grande crescimento e desenvolvimento, passa a ser uma fase de alta vulnerabilidade para o aparecimento dos distúrbios alimentares, gerando uma influencia negativa no crescimento e desenvolvimento, caso a alimentação seja feita de forma inadequada.
Na fase da adolescência aumenta até 14% a as necessidades de ingestão proteica, aumentando muito a oferta das vitaminas, tiamina, faz ainda o lembrete que o açúcar refinado diminui a tiamina, e os adolescentes consomem muitos doces e carboidratos.
Outra alteração é o aumento da necessidade da Vitamina C, e nos caso de fumantes ou pessoas que utilizam anticoncepcionais existe uma espoliação dessa vitamina. A vitamina B12 também deve ser observada principalmente em adolescentes que fazem dietas radicais ou se tornam vegetarianos exclusivos.
O aumento de ácido fólico e consequentemente da necessidade de Vitaminas A e D também são inerentes dessa fase.
O principio norteador dessa fase é a pirâmide alimentar.


Com base na necessidade hídrica (Aproximadamente 2 litros de água por dia), depois o carboidrato (Até 60% do total de consumo diário), posteriormente as verduras e vegetais, depois as carnes peixes, derivados lácteos e por ultimo a gordura o açúcar e o sal.

“Os distúrbios alimentares, esses são considerados um dos principais transtornos psiquiátricos comuns nessa faixa etária, são eles:
* Anorexia Nervosa (AN);
* Bulimia Nervosa (BN);
* Transtornos alimentares não especificados (TANE);
* AN atípica;
* BN atípica;
* Transtornos de Compulsão Alimentar Periódica (TCAP);
* Outros;”

Na AN ou BN, normalmente ocorrem:
* Medo mórbido de engordar;
* Auto avaliação, muito negativa, sempre se veem mais gordos do que são;
* Criam dietas muito restritivas;
Descontrole do comportamento alimentar;
* Utilização de métodos inapropriados para atingir esse corpo.

A causa pode estar associado à genética, ou até mesmo aos neurotransmissores, derivando muitas vezes nas alterações de personalidades e alterações psiquiatras, ou até mesmo relações familiares conflituosas, alterações socioeconômicas.


A anorexia nervosa também está relacionada ao nosso ideal de beleza, onde a magreza é cultuada e valorizada.

Tratando-se na Bulimia Nervosa- BN, vimos que o nome Bulimia, significa: “Fome de Boi", ou seja, comer como um boi, compulsão alimentar.
*São episódios recorrentes de ingestão de excesso de alimento com perda de controle;
*Preocupação persistente com o comer e desejo irresistível pela comida;
* O medo de engordar a culpa pela ingestão alimentar leva a métodos compensatórios, tais como: Vômitos, Laxantes e Diuréticos.
* Frequência de 02 vezes por semana por pelo menos 03 meses.



A Anorexia é mais comum que a Bulimia nas meninas mais novas e já a Bulimia tende a desenvolver mais tarde por volta dos 16, 17 anos de idade.
Essas doenças geram desnutrições muito graves, gerando alto índice mortalidade derivado dos distúrbios metabólicos.
* De 20 á 30 % vão chegar á óbito em algum momento da Vida;
* De 20 á 30% vivem entre superação e recaídas;
* 40% Tem apenas um episódio.

São doenças psiquiátricas e é muito importante uma equipe interdisciplinar para trabalhar esse problema.

Obesidade:
* É um distúrbio do metabolismo energético, onde ocorre um armazenamento excessivo de energia no tecido adiposo, sob a forma de triacilglicerídeos;
* É uma doença complexa, multifatorial, com sobreposição de fatores genéticos, comportamentais e ambientais.

“Ter um dos pais obesos aumenta em mais de duas vezes o risco de uma criança obesa ou não obesa ser obesa na idade adulta e se ambos os pais forem obesos o risco de obesidade é de 80%."



Aqui além da genética temos a predisposição alimentar, ou seja, o padrão alimentar da família possivelmente embasará a formação do padrão alimentar da criança.

Fatores que predispõem o que se come com o que se gasta (calorias):
* Questões Sociais (poder aquisitivo);
* Urbanização;
* Mudanças de hábitos alimentares: alto teor calórico, gordura saturada;
* Comportamento Humano: sedentarismo, atividades com pouco gasto energético.

O tratamento da obesidade é feito á partir de:
* Readequação alimentar: orientação alimentar, mudança de hábitos, otimização da atividade física;
* Criança segue os padrões paternos, se esses não forem modificados ou manejados em conjunto, um insucesso do tratamento já é previsto, ou seja, tem que ser incorporado por toda a família.
O conhecimento desses distúrbios oportuniza aos educadores perceber se algum desses distúrbios faz parte da vida de seus alunos e assim incentivar o aluno a buscar a ajuda, dando o suporte necessário.

Sobre anorexia segue, um depoimento de uma jovem com a doença, retirado do site: http://sinasocial.blogspot.com.br/2010/11/anorexia-nervosa.html

Com 12 anos, 1.60 de altura e 49 kg achava-me gorda e tinha vergonha da minha barriga. Achava bonito modelos magras tipo Shirley Mallmann. Comecei a fazer uma dieta "básica" exercício. Com 13 anos pesava 36 kg e ainda me achava gorda. Fazia de 1 a 2 horas de exercício 6x por semana. Então comecei a vomitar de vez enquando. Sem perceber tinha me afastado de todos meos amigos, chorava muito e tinha vontade de morrer. Sentia-me tonta e a minha mãe resolveu levar-me ao médico. Ele receitou que 3x por semana fosse ao hospital tomar soro. A minha mãe acatou, mas eu reagi e disse que estava me sentindo bem e que amanhã comeria direito. Então levavam-me, à força, para fazer soro 1x por semana. Com isso comia menos ainda porque pensava que o soro engordava. Com 32 kg, minha mãe estava desesperada descobriu que estava a vomitar. Foi quando descobrimos a Dra. X. Aceitei ir porque pensei que iria ser como os outros médicos; eu dizia que não iria comer e não comia. com 30 kg e muito desnutrida ela queria me internar porque estava com anorexia nervoa. Na primeira semana não cumpri nada. Quando voltei eu e meus pais levamos uma bronca. Aí os meus pais começaram a ficar em cima mesmo. Mas ainda assim enganava-os e escondia comida nos bolsos e vomitava depois. Proibida de fazer exercícios acordava de madrugada para me exercitar. Logo minha mãe descobriu. A Dra. X. deu-me uma semana para aumentar de 500g a 1 kg se nao iria internar-me. Eu achava que os meus pais nunca iria permitir. Na outra semana, quando fui à consulta havia perdido 200g, então ela falou com meos pais e se eu não fosse internada ela negar-se-ia a tratar-me; acabei por ser internada. No dia 23 de dezembro de 1997 com 30 kg e 13 anos fui internada no hospital, foi quando começou o período mais difícil do tratamento, comecei a dizer que iria fazer greve de fome, a Dra. deu-me 4 dias para aumentar 400g e trouxe a sonda ao meu quarto para me mostrar o que me iria acontecer se eu não começasse a comer, vi que não tinha outra opção e comecei a comer. Mesmo internada eu continuava a por a comida dentro dos bolsos e a vomitá-la em vasos, a minha casa de banho ficava fechada 24 horas por dia e quando precisava ocupá-la uma enfermeira acompanhava-me. Restrita de visitas de familiares e amigos eu chorava muito, foram 3 meses e meio de sofrimento. Voltei para casa na páscoa para fazer um teste de como eu me comportaria. Como me comportei e comia direitinho não voltei mais pro hospital. A Dra. liberou os exercícios, comecei a nadar duas vezes por semana. Quando voltei para casa não saía de casa porque me achava gorda e nao queria que ninguém me visse assim. Com 46 kg achava-me gorda e tive uma pequena recaída. Fui forçada a recuperar ou voltaria para o hospital, novamente não tive saída e voltei aos 50 kg com muito esforço. Chegou o verão e eu só ia pra piscina de fato de banho pois tinha vergonha da minha barriga. Aos poucos, com os exercicios, a minha barriga foi se definindo e a minha auto estima subindo. Hoje vou ao ginásio 2 vezes por semana e de dois em dois meses vou fazer revisão na Dra, ainda faço terapia com minha psiquiatra 2 vezes por mês. Estou com 1,65 de altura e 51 kg. Ainda tenho um pouco de medo de comer mas, também tenho medo de racaídas. Hoje tenho consciência de que se não me tivessem internado o tratamento, em casa, jamais daria certo."
Por: Jéssica Credidio




No Grupo de Estudos do Facebook, Filmes, Livros e Psicologia, do qual estrai a foto acima o tema é muito bem comentado  e assim posto o mesmo na integra:


TRANSTORNOS ALIMENTARES

Os transtornos alimentares têm recebido muita atenção dos meios de comunicação nos últimos anos, em parte pela importância do tema que afeta
milhões de pessoas em todo o mundo a cada ano e em parte por atingir pessoas do mundo da moda e das artes ( modelos, bailarinas e atletas ).
A grande maioria dos que sofrem os transtornos alimentares - mais de 90% - são adolescentes 
e mulheres jovens por estarem numa época da vida em que a manutenção de uma forma física ´´ ideal `` é um valor muito cultivado. A nossa cultura ratifica e apoia estes conceitos. Estar magro é uma condição para aceitação, reconhecimento e sucesso.
Na tentativa de atingir esta meta de estar magro a qualquer custo as pessoas fazem regimes muito rigorosos aos quais os especialistas atribuem um papel fundamental no desencadeamento dos transtornos alimentares.
As consequências destes transtornos podem ser muito graves e 1 em cada 10 casos termina em morte por parada cardíaca, desnutrição ou suicídio.
As pessoas que sofrem este grupo de transtornos frequentemente não reconhecem que são portadoras de um transtorno mental que pode levar à morte ou incapacitação severa. As pessoas amigas e familiares que têm informação a respeito podem ajudar muito no encaminhamento dos afetados para um processo diagnóstico e de tratamento.
Os dados clínicos acumulados até agora apontam na direção de se tentar iniciar o tratamento o quanto antes. Aqueles que demoram muito a procurar ajuda têm uma perspectiva ruim.
Nesta publicação sobre transtornos alimentares estudaremos as três condições clínicas mais importantes que são:
- anorexia nervosa
- bulimia nervosa
- transtorno do comer compulsivo


O QUE É A ANOREXIA NERVOSA?

Os portadores desta condição mental fazem um esforço constante e desesperado para emagrecer e têm um grande pavor da obesidade mesmo quando estão muito magros. Fazem uma rigorosa restrição de alimentos e quando comem provocam o vômito e usam laxativos para eliminar o que foi ingerido. Estes procedimentos levam a uma rápida perda de peso, ficando em geral 15% abaixo do peso esperado para uma pessoa da idade e altura correspondente. Os portadores apresentam também um distúrbio da imagem corporal o que os leva a insistir nos procedimentos citados e no exagero de atividades físicas porque se sentem gordas. Este é um dos poucos transtornos mentais que podem levar à morte na sequência de seu curso natural.
A denominação anorexia nervosa ( anorexia significa inapetência, perda do apetite ) não é correta porque raramente o portador tem uma real inapetência. Ele continua tendo apetite mas tem uma fobia de ingerir os alimentos.
Algumas vezes o transtorno da anorexia nervosa tem uma alternância com o outro transtorno que estudaremos mais tarde nesta publicação ( bulimia nervosa ) e nem sempre é fácil diagnosticar com clareza qual das condições é predominante.


QUAIS OS PRINCIPIOS QUE OS MÉDICOS USAM PARA DIAGNOSTICAR A ANOREXIA NERVOSA?

A organização mundial de saúde ( OMS ) na sua classificação dos transtornos mentais - CID 10 estabelece as seguintes diretrizes:

- peso corporal mantido em pelo menos 15% abaixo do esperado ( tanto perdido quanto nunca alcançado).
- a perda do peso é auto-induzida por abstencão de ´´ alimentos que engordam `` e um ou mais dos que se seguem: vômitos auto-induzidos; purgação auto-induzida; exercício excessivo; uso de anorexígenos e/ou diuréticos.
- Distorção da imagem corporal na forma de uma psicopatologia específica por meio da qual o pavor de engordar persiste como uma idéia intrusiva e sobrevalorizada e o paciente impõe um baixo limiar de peso a si próprio.
- transtorno endócrino generalizado envolvendo o eixo hipotalâmico-hipofisário-gonadal, manifestado em mulheres como amenorréia e em homens como perda de interesse e potência sexuais. Pode haver níveis elevados de hormônio do crescimento, níveis aumentados de cortisol, alterações no metabolismo periférico do hormônio tiroidiano e anormalidade de secreção de insulina.
- se o início é pré-puberal, a sequência de eventos da puberdade é demorada ou mesmo detida ( o crescimento cessa; os seios não se desenvolvem; amenorréia primária; os genitais não se desenvolvem ).


QUAL É A PARCELA DA POPULAÇÃO QUE APRESENTA MAIOR OCORRÊNCIA DA ANOREXIA NERVOSA?

A anorexia nervosa ocorre em até 1% de adolescentes do sexo feminino, sendo 20 vezes mais frequente em mulheres do que em homens. Dificilmente as manifestações ocorrem antes da puberdade e a idade de maior incidência é 17 anos.
Os estudos deste transtorno indicam uma ocorrência mais elevada em grupos socio-econômicos mais altos, mas é verificada a sua ocorrência em praticamente todos os estratos sociais e nas variadas culturas.
As adolescentes mais envolvidas nas atividades de modelos, bailarinas e atletas são mais atingidas em função de uma preocupação aumentada com a aparência e a forma física.
Estes transtornos estão experimentando um significativo aumento em sua ocorrência a cada ano que passa.

QUAL É A CAUSA DA ANOREXIA NERVOSA?

Não existe uma causa única da anorexia nervosa. Fatores biológicos, sociais, psicológicos e genéticos podem ter uma participação na determinação dos transtornos alimentares.
A expectativa social de que as pessoas sejam magras torna-se uma obrigação implacável na mente de algumas adolescentes que estão num período de vulnerabilidade psicológica peculiar a esta etapa da vida, e as leva a fazer regimes muito rigorosos, o que funciona como desencadeador da anorexia nervosa.
Os fatores genéticos ficam evidentes na ocorrência maior de casos em determinadas famílias e nos estudos de gêmeos univitelinos ( gêmeos idênticos ), quando um deles tem anorexia nervosa o outro tem um risco muito mais alto que a população em geral.
Os estudos biológicos indicam alterações em alguns mensageiros químicos do cérebro ( neurotransmissores ) e em algumas áreas do cérebro. Além dos fatores mencionados podemos agregar uma observação feita por muitos estudiosos destes transtornos de que as pessoas afetadas tem determinadas características de personalidade em comum: sentimentos de insegurança e desesperança, baixa auto-estima e medo de ficarem gordas. O comportamento alimentar parece desenvolver-se como uma forma de lidar com situações estressantes, com a ansiedade e com o medo que muitas situações da vida despertam.


COMO É A EVOLUÇÃO DA ANOREXIA NERVOSA?

As pessoas que apresentam as manifestações da anorexia nervosa em geral tendem a ser muito obedientes, introvertidas e perfeccionistas. Fazem um rígido controle da alimentação com o objetivo de obter aprovação das outras pessoas e terem a sensação de controle sobre o seu corpo. Isto funciona por algum tempo, mas logo fica claro que estas pessoas estão descontroladas e que podem ficar perigosamente magras.
Após as manifestações iniciais o curso do transtorno é muito variável. Pode haver uma recuperação espontânea sem tratamento ou pode ocorrer uma rápida deterioração resultando na morte. Às vezes ocorre uma recuperação duradoura após um único episódio de perda de peso ou um padrão repetitivo de perdas de peso e recuperação por muitos anos.
A recuperação de peso em poucos casos é total e cerca de 25% dos afetados ficam para sempre com um peso abaixo de 75% do normal.
Muitas adolescentes, mesmo recuperando o peso normal continuam apresentando amenorréia ( falta da menstruação ). É comum a agregação de outros transtornos psiquiátricos ao longo do tempo: Transtornos obsessivo-compulsivos, fobias sociais, dependência de drogas e roubos em lojas (principalmente de alimentos).

E COMO SÃO OS TRATAMENTOS DA ANOREXIA NERVOSA?

Os portadores de anorexia nervosa que perderam peso de uma maneira perigosa a sua saúde, colocando a sua vida em risco tem que ser hospitalizados e tratados por uma equipe multidisciplinar, com a participação de nutricionista, clínico geral, psicoterapeuta, psicofarmacologista e enfermagem especializada. Uma vez realizada a reabilitação nutricional, que pode levar meses, o paciente é encaminhado para o tratamento ambulatorial onde poderá receber psicoterapia individual, psicoterapia ou orientação à família às vezes medicamentos ( psicofármacos ).
Os pacientes que não tiveram uma perda muito significativa de peso podem ir diretamente para o tratamento ambulatorial.
É muito comum a pessoa com anorexia recusar tratamento por não ter consciência de que são portadores de um grave transtorno mental e a ajuda de familiares, professores e amigos pode fazer muita diferença neste momento.
Nunca é demais ressaltar que os tratamentos que apresentam melhores resultados são aqueles iniciados o mais próximo possível do início da sintomatologia.


E O QUE É A BULIMIA NERVOSA?

A bulimia nervosa é um transtorno alimentar em que a pessoa afetada ingere grandes quantidades de alimentos ( episódios bulímicos ) e depois elimina o excesso de calorias através de jejuns prolongados , vômitos auto-induzidos, uso de diuréticos, uso de laxantes e enemas e a prática exagerada de exercícios físicos. Algumas pessoas fazem uma combinação de todas estas maneiras de desintoxicação.
As pessoas que apresentam a bulimia nervosa quase sempre mantem o peso normal ou ficam acima dele e fazem segredo de todas estas práticas e ocultam o seu problema por muitos anos, mesmo de pessoas que têm uma convivência próxima. Isto torna difícil para médicos e familiares detectar a bulimia.


QUAIS OS CRITÉRIOS QUE OS MÉDICOS USAM PARA ESTABELECER O DIAGNÓSTICO DE BULIMIA?

A organização mundial da saúde ( OMS ) estabelece na sua classificação de transtornos a CID 10 as seguintes diretrizes:
- preocupação persistente com o comer e um desejo irresistível de comida; o paciente sucumbe a episódios de hiperfagia, nos quais grandes quantidades de alimento são consumidos em curtos períodos de tempo.
- o paciente tenta neutralizar os ´´ efeitos de engordar `` dos alimentos através de um ou mais dos que se seguem: vômitos auto-induzidos; abuso de purgantes; períodos alternados de inanição; uso de drogas tais como anorexígenos, hormônios tireodianos ou diuréticos.
- pavor mórbido de engordar com a colocação para si mesmo de um limiar de peso nitidamente definido, bem abaixo de seu peso pré-mórbido, que constitui o peso ótimo ou saudável na opinião do médico. Há frequente episódio de anorexia nervosa.


QUAL É A TAXA DE OCORRÊNCIA DA BULIMIA NERVOSA NA POPULAÇÃO?

Os estudos epidemiológicos ainda não são conclusivos sobre a ocorrência da bulimia nervosa na população mundial. Estudos feitos nos Estados Unidos revelam uma incidência elevada mostram uma taxa de até 40% em mulheres universitárias.


COMO É O SURGIMENTO DA BULIMIA NERVOSA E O SEU CURSO CLÍNICO?

O início da bulimia nervosa geralmente ocorre durante a adolescência ou início da vida adulta, sendo a idade média de início 18 anos.
As características das pessoas afetadas antes do início do transtorno variam muito. Em geral os pacientes bulímicos são mais expansivos. Saem mais, são mais competentes socialmente e tem uma vida sexual mais intensa que aquelas que sofrem de anorexia nervosa.
Os bulímicos, em geral tem mais facilidade de reconhecer os seus problemas com o uso dos alimentos e de procurar e aceitar ajuda médica. Quando procuram ajuda é comum já estarem entre o 3º e 6º ano do transtorno. Perdem peso no início mas com o progresso do transtorno tendem a ganhar peso, possivelmente pela intensidade crescente dos episódios de descontrole alimentar.


QUAL É A CAUSA DA BULIMIA NERVOSA?

Muito pouco se conhece sobre as causas da bulimia nervosa. É possível que os fatores causadores da anorexia nervosa tenham também um papel na origem da bulimia.
Muitos estudos estabelecem um paralelo entre a bulimia e a dependência de drogas pelas semelhanças comportamentais como preocupação com substâncias químicas, perda de controle no uso de substâncias, a natureza secreta de sua problemática e a isolação social que resulta destes comportamentos.
Alguns estudos mostram uma co-existência entre a bulimia e estados de depressão.


COMO É TRATADA A BULIMIA?


Ainda é muito incerto o melhor modo de tratar a bulimia. A maioria dos trabalhos publicados mostram como um caminho terapêutico a associação de psicoterapia e de psicofármacos. Há muitas referencias ao uso de antidepressivos nestes tratamentos mas não fica claro se os antidepressivos exercem seu efeito terapêutico por melhorar o humor ou por um efeito primário no comportamento alimentar.
A terapia de grupo, na qual as pessoas compartilham os seus problemas e se apoiam mutuamente tem se mostrado muito eficaz para as pessoas com bulimia nervosa.

EM QUE CONSISTE O TRANSTORNO DO ´´ COMER COMPULSIVO ``.

É um transtorno que se assemelha à bulimia pelos episódios de ingestão exagerada e compulsiva de alimentos porém com a diferença de que as pessoas afetadas não produzirem a eliminação forçada dos alimentos ingeridos.
Os portadores deste transtorno perdem o controle quando comem. Ingerem grandes quantidades de alimentos e não param até que surja um desconforto muito grande. Apresentam uma maior dificuldade de perder peso do que as pessoas com outros problemas alimentares e de peso. A maioria é obesa e tem um histórico de variações de peso.
Este transtorno ocorre em cerca de 2% da população em geral e é mais frequente nas mulheres. Uma parcela importante das pessoas que fazem controle alimentar e de peso com médicos apresentam este transtorno.


COMO PODEMOS AJUDAR AS PESSOAS QUE MANIFESTAM TRANSTORNOS ALIMENTARES?

As pessoas afetadas pelos transtornos alimentares correm sérios riscos de vida pelas consequências de seus comportamentos. O tratamento pode salvar vidas e evitar grandes sofrimentos para o indivíduo afetado e seus familiares.
Amigos, empregadores, professores, familiares, profissionais de saúde mental e médicos em geral podem desempenhar um papel importante ao ajudar uma pessoa com transtorno alimentar a reconhecer a sua condição e procurar um tratamento, mantendo-se nele o tempo necessário para a reabilitação.
Todos podemos ajudar conhecendo mais sobre estes problemas e divulgando o conhecimento que obtemos.

Postado por Libório